AVARIAS: A vitória é de todos

OPINIÃO | FERNANDO PROENÇA

Enquanto vou olhando para as leituras que se fazem sobre as eleições autárquicas, em que todos ganham sem excepção, espreito o futebol, jornais e, obviamente, este meu texto. Tenho o DN ao lado, onde se lê, na primeira página, que apenas 0,4% dos professores têm menos de trinta anos. Li a notícia e fico com a impressão que o DN, começa a seguir o Público, pelo menos no particular das primeiras páginas. Pode cair o Mundo que a primeira página será sempre ocupada, numa grande parte, por uma notícia, que em princípio seria um furo para uma das páginas do meio, se não existisse mais nada para escrever. Entretanto li o texto na totalidade e fiquei sem perceber onde querem chegar: é muito mau não ter professores novos? O que se deve fazer aos professores mais velhos, como eu? Despejá-los de um comboio em andamento? Reciclá-los em salsichas? É que todos sabemos como o regime de aposentação da classe docente segue o da restante função pública; se vai avançando atrás do crescimento da esperança média de vida, o que podemos fazer? Para os autores da notícia, “Quem ensina Português tem média de idades acima dos 50 anos”. O que querem dizer com isso? Que os novos são melhores?, piores? Iguais? O novo jornalismo é assim, baseado em coisas que se ouvem, dados estatísticos que se apoiam em estudos e que, demasiadas vezes, são consequentes com encomendas. Digo isto sem saber se estamos na presença de alguma. Mas desconfio que sim, só não sei de quem.
Já não me lembrava do pós eleições autárquicas. Agora refresquei a memória. As legislativas dão para que qualquer partido que concorra, se tenha em elevada conta, sendo sempre o vencedor. Mesmo com o pior resultado de sempre, as eleições camarárias permitem cruzar praticamente tudo. Se fizeram coligações, as coligações são importantes, se não o fizeram, mostraram coragem. Se interessa ligar os resultados à política nacional ligam, se não, dizem que não existe nada a retirar a não ser o que lhes interessa. Se perderam em termos absolutos, então perderam, mas ganharam em cinco ou seis câmaras do interior com cem mil habitantes ao todo. Quem tinha fama de usar este discurso era o PCP, mas hoje, todos têm o proveito. O grande vencedor absoluto da noite foi Isaltino Morais. Os oeirenses (é assim que se diz?) mostram bem o que os portugueses pensam deste tipo de políticos: é verdade que roubaram? E depois? Depois, se estivessem no lugar dele faziam o mesmo. Ao mesmo tempo põe-se a questão: como catalogar os políticos autárquicos segundo a sua actuação? Os que não fazem e roubam; os que que não fazem e não roubam; os que fazem e não roubam e os que fazem e roubam, que parece ser o caso em questão. Pode dizer-se que o homem, pagou pelo que fez, mas pô-lo novamente à frente de uma câmara aproxima muito – neste caso os oeirenses – do aceitar uma actuação mafiosa, como método de trabalho. Dar obra feita ao povo, para que este veicule a trafulhice. Penso eu de que.

Fernando Proença

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