Associação vila-realense “recupera” arte proibida da levada

.

A Associação de Pesca Desportiva do Guadiana foi criada há pouco mais de um ano. Além das demonstrações da arte da levada, quer recuperar os “grandes concursos de pesca desportiva” em Vila Real de Santo António e avançar com formações para crianças no âmbito da modalidade

DOMINGOS VIEGAS

A levada está proibida há vários anos, por ser considerada uma arte de pesca predatória, mas a Associação de Pesca Desportiva do Guadiana (APDG), sediada em Vila Real de Santo António, teve uma autorização especial da Direção-geral das Pescas para fazer três demonstrações ao longo do verão.

A rede é transportada por uma embarcação, mas uma das pontas fica em terra segura pelos homens do mar. O barco faz um semicírculo e traz a outra ponta para ser segura por outro grupo de pescadores. Posteriormente, a rede é arrastada à mão até terra, capturando o peixe que ficou no interior do referido semicírculo.

A primeira destas reconstituições aconteceu no passado mês de julho na Praia dos Três Pauzinhos (Vila Real de Santo António) e a segunda está agendada para o dia 20 deste mês de agosto na Praia do Coelho (em Monte Gordo). A última acontece no dia 15 de setembro na Praia da Manta Rota.

O facto de ser realizada junto à costa, as técnicas utilizadas e, principalmente, a malha muito pequena que era usada nas redes levou a que esta forma de pescar, usada durante séculos, fosse proibida.

“Apesar de se tratar de reconstituições, a rede que usamos já não tem a mesma malha de outros tempos. O objetivo é mostrar às pessoas como se pescava neste zona do sotavento. Há muitas pessoas, entre as quais muitos turistas, que gostam de ver e até ajudam a puxar a rede para terra”, conta António Condessa, presidente da APDG.

Trata-se de demonstrações autorizadas, mas têm que ser feitas respeitando algumas regras: “Além das redes serem diferentes, todo o peixe capturado tem que ser oferecido a instituições de solidariedade e não pode ser comercializado”, explica o mesmo dirigente associativo.

A APDG foi criada em abril de 2016 e está sediada num dos armazéns do antigo cais comercial da cidade pombalina. Além, destas demonstrações, durante este verão colaboraram com o programa Férias em Movimento, da Junta de Freguesia de Vila Real de Santo António, proporcionando a cerca de 120 crianças uma formação de iniciação à pesca desportiva.

Esta iniciativa, na qual as crianças aprenderam a teoria e praticaram depois com canas de pesca, acabou por superar todas as expectativas: “Pouco depois, os pais e os avós estavam a contactar-nos para saber se havia mais formações deste tipo. Sentimos tanto interesse depois desta primeira experiência que já estamos a equacionar a hipótese de realizar estas sessões frequentemente”, revela António Condessa.

Outros dos objetivos desta jovem associação é recuperar os “grandes concursos de pesca desportiva” que se realizaram em tempos no concelho de Vila Real de Santo António. E o primeiro está já agendado para o próximo dia 08 de outubro.

“Será o nosso grande evento deste ano. Pretendemos revitalizar esses grandes concursos de pesca que se aconteceram em tempos. Nesta primeira edição, o vencedor vai ganhar uma embarcação semirrígida e haverá ainda prémios até ao décimo lugar”, garante o presidente da APDG.

(Reportagem publicada na edição impressa e semanal do Jornal do Algarve de 03/08/2017)

  • F Soares

    Na Trafaria chamam-lhe xinxorro
    Na Costa da Caparica, agora chamam-lhe arte da Xávega.
    Agora em VRSA é a levada.
    Acredito ainda que para o mesmo processo esta arte tenha ainda muitos outros nomes. Provavelmente só mudará o tipo de embarcação utilizada .