*6-11-2009/0:0
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O Brasil não sucumbirá à “maldição do petróleo”, prometeu ontem o presidente brasileiro Lula da Silva em Londres, onde recebeu o prémio Chatham House 2009.
Referindo-se às recentes descobertas de reservas petrolíferas no país, Lula exortou à cautela na sua utilização e na aplicação dos rendimentos.
“Os grandes recursos provenientes da exploração dessas novas riquezas serão destinados aos brasileiros de amanhã”, expressou.
Para o presente, reiterou a aposta nos biocombustíveis e energia hidroeléctrica e prometeu também reduzir a taxa de desflorestação das florestas brasileiras em 80 por cento até 2020.
Sobre o objectivo da redução das emissões de carbono, prometeu que “o Brasil chegará a [Conferência de] Copenhaga com propostas claras”.
Mas defendeu que “os países desenvolvidos têm responsabilidades diferenciadas e maiores no combate ao aquecimento global”.
“A compra de créditos de carbono não pode transformar-se em passaporte para a irresponsabilidade ambiental por parte dos ricos”, advertiu.
Lula criticou a "complacência" que o FMI e Banco Mundial tiveram em relação aos países desenvolvidos e manifestou a convicção de que “o G20 possivelmente impediu que o pior acontecesse”.
Mas avisou que “os pequenos sinais de melhoria da economia podem impedir a realização de reformas de fundo, sem as quais a humanidade poderá reincidir de forma mais grave na crise”.
Por fim, reivindicou um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
“A nossa luta pela mudança dos mecanismos de governação mundial não tem a pretensão da liderança, da busca da hegemonia. Mas não renunciaremos à nossa vocação universalista”, rematou.
O chefe de Estado brasileiro foi distinguido pela instituto de relações internacionais britânico Chatham House pelo seu papel na promoção da paz na região e pelas políticas sociais sustentáveis no Brasil.
Na cerimónia de entrega do prémio, o presidente brasileiro foi elogiado pela liderança em negociações internacionais como o ambiente e comércio, mas foi advertido para os desafios que se aproximam.
"O novo internacionalismo, protagonizado pelo Presidente Lula, enfrenta um dos maiores testes, provavelmente o maior, nos próximos meses", salientou o ministro da Economia britânico, Peter Mandelson, em referência à Conferência de Copenhaga.
"O papel de líderes progressivos como o Presidente Lula não podia ser mais importante", vincou.
Mandelson elogiou o trabalho de Lula nas negociações para um acordo de comércio livre, a liderança no Mercosur e na América Latina, bem como o seu compromisso em assegurar que os frutos do desenvolvimento económico eram partilhados no país.
"É uma pessoa que eu admiro muito", confessou.
Lula da Silva recebeu das mãos do príncipe Eduardo um pergaminho assinado pela Rainha Isabel II, patrona da Chatham House, e uma escultura em cristal.
O príncipe destacou o desenvolvimento do país, o qual visitou em 1995, "o qual se deve em grande medida à determinação e trabalho árduo do presidente Lula".
Lusa/BM
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